
Foto: Vicente Vilas
Vargem Alta passa a integrar oficialmente o mapa das áreas estratégicas de conservação ambiental do Espírito Santo com a criação do Parque Estadual Saíra-apunhalada (PESA). Instituído pelo Governo do Estado por meio de decreto publicado no Diário Oficial em 28 de novembro de 2025, o novo parque consolida o compromisso público com a proteção da Mata Atlântica capixaba e com a preservação de uma das aves mais raras do mundo: a saíra-apunhalada (Nemosia rourei).
Com 234,6 hectares, o parque está localizado em Vargem Alta e ocupa uma região de alta relevância ecológica. A unidade encontra-se entre duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural – Águia Branca e Kaetés – formando um corredor ambiental fundamental para a manutenção do contínuo florestal da Mata de Caetés, reconhecido como um dos mais importantes refúgios de biodiversidade do Estado.
A saíra-apunhalada, espécie símbolo de Vargem Alta e ameaçada de extinção, é o principal foco da nova unidade. O Pesa foi criado para garantir a proteção dos habitats essenciais ao seu ciclo de vida, ao mesmo tempo em que assegura condições de sobrevivência para outras espécies igualmente ameaçadas. A área abriga um conjunto expressivo de fauna em risco, incluindo 14 espécies como a abelha-uruçu-capixaba, o sapinho-pingo-de-ouro, o cágado-da-serra, o gavião-pombo-pequeno, o apuim-de-costas-pretas, a araponga e o papo-branco. Mamíferos como o sagui-da-serra, o sauá, a preguiça-de-coleira e o ouriço-preto também fazem parte do patrimônio natural protegido.
A flora local reúne 17 espécies sob ameaça, entre elas a Philodendron vargealtense, classificada como Criticamente Ameaçada (CR), reforçando a singularidade biológica da Mata de Caetés e a importância de sua preservação. A Philodendron spiritus sancti, que cresce no nó de troncos de árvores e lança raízes até o solo, planta rara e muito ameaçada e exclusivamente do Espírito Santo. Ao todo, 31 espécies ameaçadas passam a estar oficialmente amparadas pela nova unidade de conservação.

Além da proteção da biodiversidade, o parque desempenhará papel estratégico na preservação de recursos hídricos vitais, como nascentes, mananciais e áreas de recarga da sub-bacia do Ribeirão Caetés, que contribui diretamente para o Rio Itapemirim.
O decreto de criação estabelece também uma zona de amortecimento de aproximadamente 1.535 hectares nos municípios de Vargem Alta e Castelo, onde atividades humanas deverão seguir diretrizes compatíveis com os objetivos de conservação da unidade. Os imóveis privados situados dentro da área do parque foram declarados de utilidade pública para fins de desapropriação, sob responsabilidade do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), órgão gestor da unidade.
A implantação do Pesa contará ainda com a criação de um conselho consultivo, assegurando a participação de representantes da sociedade civil, especialistas e setores governamentais no planejamento e no acompanhamento da gestão da nova área protegida.
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